Guerra Fria: Espiões infiltram cartões de crédito e passagens com tecnologia da época

 

A tecnologia RFID, mesmo perdendo espaço para os smartphones, ainda tem o seu papel no mundo moderno.

Pouco após a metade de 1945, os Estados Unidos e a União Soviética já ponderavam sobre o seu relacionamento futuro. A parte da Segunda Guerra Mundial na Europa tinha acabado, e, “para fortalecer” as relações, a Organização Pioneira Jovem da União Soviética presenteou Averell Herriman, o embaixador dos Estados Unidos. Hoje, chamariam isso de “presente de grego”.

Guerra Fria: Espiões infiltram cartões de crédito e passagens com tecnologia da época
Foto: (reprodução/internet)

O que aconteceu na época?

O presente dado pelos soviéticos, que tinha detalhes esculpidos a mão, depois também ficou conhecido como A Coisa. Os estadunidenses aceitaram o presente como um sinal de boa-fé, não imaginando que dentro dele havia um dispositivo minúsculo preparado para ouvir o que acontecia na sala do embaixador.

Obviamente, os americanos revistaram o item procurando por fios ou escutas eletrônicas, mas não acharam nada disso. O presente parecia de boa vontade, então ele ficou na parede do escritório de Herriman. E lá ficou por mais de sete anos, escutando conversas sigilosas que aconteciam naquela sala.

Leon Theremin foi o criador dessa engenhosidade. Segundo sua esposa, ele, que morava nos Estados Unidos com ela até 1938, foi sequestrado pelos soviéticos e obrigado a criar, dentre outros aparelhos de escuta, A Coisa.

Um dia, operadores de rádio americanos encontraram conversas do seu embaixador sendo transmitidas por ondas radiofônicas. A embaixada foi revistada por completo, mas também não foram encontrados sinais da escuta que, na verdade, estava dentro da Coisa e era completamente simples.

O aparelho era ativado por ondas de rádio; A Coisa usava o sinal que entrava para fazer uma transmissão de volta, e, quando não havia sinal externo, o aparelho tampouco se manifestava.

A tecnologia da época usada hoje

Atualmente, a tecnologia RFID (Identificação por radiofrequência) está em praticamente todo lugar. O princípio usado para essa tecnologia é o mesmo desenvolvido por Theremin. A tecnologia é usada amplamente em cartões de crédito, que só precisam ser aproximados a um leitor de RFID para a compra de itens pequenos, e é usado também em passagens aéreas.

Para se ter uma ideia, a tecnologia é bastante usada para rastrear bagagens em voos e para os varejistas conseguirem evitar roubos. O RFID funciona em larga escala porque é muito barato; a maior parte é alimentada apenas por um sinal de entrada, como A Coisa.

A tecnologia havia sido usada em aviões durante a Segunda Guerra, mas ainda demandava um espaço considerável. Hoje em dia, com a diminuição do tamanho dos circuitos de silício, é possível esconder esses dispositivos em itens muito menores e menos valiosos que um avião.

O RFID sustenta uma maior gama de informações do que um código de barras, mas ainda tem uma outra vantagem: o objeto pode ser identificado a vários metros de distância, ou até mesmo em lotes.

O RFID permite a especificidade, de modo que um objeto pode ser identificado em sua singularidade — feito em determinado lugar e determinado dia —, e, mesmo em contraste com a tecnologia dos smartphones, que tem captado a atenção da população já há algum tempo, as tags RFID ainda têm funcionalidade na sociedade atual.